A idade em que os óvulos são congelados é um dos principais fatores para as possibilidades reprodutivas futuras. Entender essa relação ajuda a planejar a preservação da fertilidade com expectativas mais realistas.
O congelamento permite preservar os óvulos com as características biológicas que eles apresentam no momento da coleta. Por isso, quando uma mulher considera adiar a maternidade, não importa apenas a decisão de congelar, mas também quando essa preservação será realizada.
Com o avanço da idade, a quantidade de óvulos disponíveis diminui e aumenta a proporção de alterações cromossômicas. Essas mudanças fazem parte do envelhecimento reprodutivo e se tornam mais relevantes ao longo da década dos 30 anos, principalmente após os 35.
Por que a idade interfere na qualidade dos óvulos?
A mulher nasce com uma reserva de óvulos que diminui progressivamente ao longo da vida.
Com o passar dos anos, aumenta também a chance de alterações cromossômicas nos óvulos. Esse processo pode reduzir a probabilidade de formação de embriões cromossomicamente normais e aumentar o risco de perdas gestacionais.
Por isso, a idade em que os óvulos são congelados tem papel importante em seu potencial reprodutivo.
Uma vida saudável consegue compensar o efeito da idade sobre os óvulos?
Alimentação equilibrada, atividade física, ausência de tabagismo e outros cuidados contribuem para a saúde geral e reprodutiva. No entanto, hábitos saudáveis não revertem o envelhecimento ovariano.
Uma mulher pode estar em excelente condição física aos 38 ou 40 anos e ainda apresentar as mudanças reprodutivas esperadas para sua idade. O estilo de vida não repõe a reserva de óvulos nem faz os ovários retornarem a uma fase biológica anterior.
Cuidar da saúde faz diferença, mas não substitui o planejamento reprodutivo.
Não ovular ou não menstruar preserva a reserva ovariana?
Não. Alguns anticoncepcionais hormonais impedem a ovulação, mas isso não significa que os óvulos estejam sendo “economizados”.
A reserva ovariana diminui principalmente pela perda contínua de folículos, mesmo nos períodos em que não ocorre ovulação. Portanto, o uso de anticoncepcionais não interrompe o envelhecimento ovariano nem preserva a reserva para o futuro.
Congelar óvulos mais cedo aumenta as possibilidades futuras?
De forma geral, óvulos congelados em idades mais jovens apresentam maior potencial reprodutivo. Isso não significa que exista uma idade capaz de garantir uma gravidez no futuro.
O congelamento de óvulos preserva uma possibilidade, não uma garantia.
O resultado futuro também depende do número de óvulos maduros armazenados, da sobrevivência após o descongelamento, da fecundação e do desenvolvimento embrionário
Depois dos 35 anos ainda é possível congelar óvulos?
Sim, mas a avaliação se torna mais individualizada.
Mulheres da mesma idade podem apresentar reservas ovarianas e respostas à estimulação diferentes. A decisão deve considerar idade, reserva ovariana, histórico clínico e planos reprodutivos. Em alguns casos, mais de um ciclo pode ser necessário para alcançar o objetivo estabelecido.
O AMH mostra a qualidade dos óvulos?
Não. O hormônio anti-mülleriano (AMH) é utilizado principalmente para avaliar a reserva ovariana e estimar a provável resposta dos ovários à estimulação.
O exame não mede diretamente a qualidade dos óvulos nem determina, isoladamente, a chance de uma gravidez natural. A idade continua sendo um dos principais fatores relacionados à competência dos óvulos.
Por isso, o resultado do AMH deve ser interpretado junto com outros dados da avaliação reprodutiva.
Existe um número ideal de óvulos para congelar?
Não existe um número universal que garanta o nascimento de um bebê.
A quantidade depende principalmente da idade no momento da coleta e da resposta à estimulação ovariana. O planejamento deve estabelecer objetivos realistas para cada mulher, em vez de se basear em um número isolado.
Preservar a fertilidade também é uma forma de planejamento
Pensar no congelamento de óvulos não significa ter decidido adiar a maternidade. Significa conhecer melhor a própria fertilidade e entender quais possibilidades existem para o futuro.
A informação permite decisões mais conscientes, de acordo com a história e os planos de cada mulher.
Neste mês de setembro, a campanha Congerar, da Gerar in Vitro, amplia essa conversa.
Gerar in Vitro / Congerar – Preservar hoje é ampliar as possibilidades de amanhã

