Setembro ampliou a conversa sobre o congelamento de óvulos e o planejamento da maternidade. Com a chegada de outubro, esse cuidado ganha outra perspectiva: a preservação da fertilidade diante de um diagnóstico oncológico.
Alguns tratamentos contra o câncer podem afetar a função dos ovários e reduzir as possibilidades reprodutivas futuras. Esse risco varia conforme a doença, a terapia indicada, a idade e a reserva ovariana. Por isso, quando houver condições clínicas, a fertilidade deve ser discutida antes do início do tratamento.
O tratamento oncológico pode comprometer a fertilidade?
Não. Alguns quimioterápicos apresentam maior potencial de afetar os folículos ovarianos. Cirurgias que envolvem os órgãos reprodutivos e determinados campos de radioterapia também podem interferir na função reprodutiva.
A paciente não deve presumir que perderá sua fertilidade. O oncologista pode avaliar o risco e indicar uma consulta com a equipe de reprodução humana.
Por que a avaliação precisa acontecer rapidamente?
O tratamento do câncer é prioritário, mas a preservação da fertilidade depende do tempo disponível antes de seu início.
O encaminhamento precoce permite analisar o diagnóstico, a urgência, a idade, a reserva ovariana e o desejo de ter filhos. A consulta não significa que a paciente realizará algum procedimento. Ela permite conhecer as possibilidades e tomar uma decisão bem orientada.
Quais são as opções para preservar a fertilidade?
O congelamento de óvulos é uma das principais opções para mulheres que desejam preservar sua autonomia reprodutiva. O tratamento envolve a estimulação dos ovários, a coleta e a vitrificação dos óvulos maduros.
O congelamento de embriões também pode ser considerado, conforme o projeto reprodutivo da paciente. Em condições específicas, a equipe pode avaliar a criopreservação de tecido ovariano.
A escolha depende da idade, do tipo de câncer, da terapia proposta e do tempo disponível. Nenhuma estratégia é adequada para todas as pacientes.
A preservação da fertilidade pode atrasar o tratamento do câncer?
Os protocolos atuais permitem iniciar a estimulação ovariana em diferentes momentos do ciclo menstrual, o que pode reduzir o tempo necessário para o procedimento.
Mesmo assim, a equipe oncológica precisa confirmar se existe tempo e segurança para a preservação. O planejamento conjunto não pode comprometer a prioridade do tratamento contra o câncer.
O que pode acontecer com a fertilidade depois do tratamento?
Algumas mulheres mantêm a função ovariana. Outras apresentam redução da reserva ou insuficiência ovariana.
A presença de ciclos menstruais não confirma, sozinha, que a fertilidade foi preservada. Uma futura gravidez deve ser planejada com base na saúde da paciente, na função ovariana e na avaliação da equipe oncológica.
Perguntas frequentes sobre preservação da fertilidade
A preservação da fertilidade garante uma gravidez no futuro?
Não. O procedimento preserva uma possibilidade reprodutiva. Os resultados dependem de fatores como idade, quantidade de óvulos ou embriões armazenados e condições futuras de saúde.
Toda paciente com câncer precisa congelar óvulos?
Não. A indicação depende do risco do tratamento, da idade, da reserva ovariana, do desejo reprodutivo e das condições clínicas.
Quem deve iniciar essa conversa?
A conversa pode começar com o profissional responsável pelo tratamento. Quando houver risco para a fertilidade, o encaminhamento à reprodução humana permite avaliar as opções disponíveis.
Preservar possibilidades também faz parte do cuidado
A preservação da fertilidade não reduz a importância do tratamento oncológico. Ela acrescenta ao cuidado uma conversa sobre os planos que podem existir depois dele.
Referências científicas
1. Su HI, Lacchetti C, Letourneau J, et al. Fertility Preservation in People With Cancer: ASCO Guideline Update. Journal of Clinical Oncology. 2025.
2. American Society for Reproductive Medicine. Fertility preservation and reproduction in patients facing gonadotoxic therapies or gonadectomy: an Ethics Committee opinion. 2026.
3. ESHRE Guideline Group on Female Fertility Preservation. ESHRE Guideline: Female Fertility Preservation. Human Reproduction Open. 2020.
Gerar in Vitro — “Cuidar do presente. Preservar possibilidades para o futuro.”

