Quando falamos em fertilidade masculina, é comum associar o papel do espermatozoide à capacidade de alcançar o óvulo e fecundá-lo. Mas sua participação na reprodução não termina necessariamente nesse momento.
O espermatozoide contribui com metade do material genético nuclear do embrião. Por isso, em determinadas situações, compreender o fator masculino pode exigir uma avaliação que vá além da quantidade, da motilidade e da morfologia dos espermatozoides.
O que acontece depois da fecundação?
Após a união do óvulo com o espermatozoide, o embrião inicia sucessivas divisões celulares e, nos primeiros dias de desenvolvimento, ocorre progressivamente a ativação do genoma embrionário, constituído pelas contribuições materna e paterna.
Na fertilização in vitro, o acompanhamento dos embriões em laboratório permite observar parte dessa evolução. Isso não significa, porém, que uma interrupção do desenvolvimento possa ser atribuída diretamente ao óvulo ou ao espermatozoide. A evolução embrionária é multifatorial e envolve uma interação complexa entre os gametas, o próprio embrião e outros fatores biológicos.
Um espermograma normal descarta o fator masculino?
Não. O espermograma é o exame inicial e fundamental para avaliar a fertilidade masculina, mas concentração, motilidade e morfologia não representam todos os aspectos biológicos do espermatozoide.
Em situações específicas, a história clínica e reprodutiva pode justificar uma investigação complementar. Um dos aspectos que podem ser avaliados é a fragmentação do DNA espermático, relacionada a danos no material genético transportado pelo espermatozoide.
Índices mais elevados podem estar associados a fatores como estresse oxidativo, varicocele, tabagismo e determinadas condições clínicas, ambientais e de estilo de vida. Estudos também investigam sua relação com diferentes desfechos reprodutivos, mas o resultado, isoladamente, não permite prever a fecundação, a evolução embrionária ou o resultado de uma gestação.
Por isso, o teste de fragmentação do DNA espermático não é indicado rotineiramente para todos os homens e deve ser interpretado dentro do contexto de cada caso.
Quando aprofundar a investigação masculina?
Alterações importantes no espermograma, varicocele, algumas condições clínicas e determinados históricos reprodutivos podem justificar uma avaliação mais detalhada. Em alguns cenários da reprodução assistida, informações obtidas durante o tratamento também podem contribuir para essa decisão.
Mais exames, porém, não significam necessariamente uma investigação melhor. A avaliação deve partir de uma indicação clínica e considerar quais informações podem realmente contribuir para a conduta.
Afinal, a influência do espermatozoide pode ir além da fecundação?
Sim. Hoje sabemos que sua contribuição não se limita a fecundar o óvulo. A integridade do material genético que transporta e outros aspectos de sua biologia também podem fazer parte da avaliação da fertilidade masculina.
Muitas dessas relações ainda estão sendo estudadas. Compreendê-las com critério permite integrar diferentes informações e individualizar a investigação e a condução de cada caso.
Gerar in Vitro — Ciência que gera possibilidades, cuidado que acolhe histórias.

