Infertilidade secundária: por que a segunda gravidez pode demorar mais do que o esperado?

Infertilidade secundária: por que a segunda gravidez pode demorar mais do que o esperado?

Muitas pessoas associam a infertilidade à dificuldade para ter o primeiro filho. Por isso, quando um casal que já tem um filho encontra dificuldades para engravidar novamente, é comum surgirem surpresa, frustração e até culpa.

Afinal, se a gravidez aconteceu antes, por que agora parece tão difícil?

Essa situação, mais comum do que muita gente imagina, recebe o nome de infertilidade secundária.

O que é infertilidade secundária?

Chamamos de infertilidade secundária a dificuldade para engravidar novamente após uma gestação anterior, espontânea ou obtida por reprodução assistida.

De forma geral, recomenda-se investigação quando o casal tenta engravidar há mais de 12 meses sem sucesso. Para mulheres acima dos 35 anos, essa avaliação costuma ser indicada após 6 meses de tentativas.

Uma gravidez anterior não garante que a fertilidade permanecerá a mesma ao longo da vida.

Por que isso acontece?

Diversos fatores podem explicar a infertilidade secundária.

O mais conhecido é a idade. Com o passar dos anos, a fertilidade feminina diminui, principalmente em relação à quantidade e à qualidade dos óvulos. Assim, uma mulher que engravidou com facilidade aos 30 anos pode encontrar um cenário diferente aos 36 ou 38.

Além da idade, algumas condições podem surgir ou se tornar mais evidentes após a primeira gestação, como:

• endometriose;
• miomas uterinos;
• alterações das trompas;
• distúrbios hormonais;
• alterações na ovulação;
• ganho ou perda significativa de peso;
• doenças clínicas que impactam a fertilidade.

A fertilidade masculina também pode mudar ao longo do tempo. Alterações na qualidade do sêmen, por exemplo, podem surgir anos após o nascimento do primeiro filho.

Por isso, a investigação deve sempre considerar o casal como um todo.

Quando a comparação atrapalha

As comparações costumam aumentar o impacto emocional da infertilidade secundária.

Muitas mulheres relatam ouvir comentários como:

“Mas você já tem um filho.”

Embora geralmente seja dita com boa intenção, essa frase desconsidera um aspecto importante: o desejo de ampliar a família também é legítimo.

A dificuldade para engravidar novamente pode gerar ansiedade, tristeza, sensação de isolamento e culpa. Muitas pessoas deixam de compartilhar suas angústias por acreditarem que não deveriam sofrer por já terem vivenciado a maternidade.

Mas cada história tem sua importância. Ter um filho não diminui a dor da espera nem a frustração diante de tentativas que não acontecem como o planejado.

Como é feita a investigação?

A avaliação segue princípios semelhantes aos utilizados na infertilidade primária e busca identificar o que mudou desde a gravidez anterior.

A investigação pode incluir:

• avaliação da reserva ovariana;
• exames hormonais;
• ultrassonografia ginecológica;
• avaliação das trompas e da cavidade uterina;
• espermograma e outros exames relacionados ao fator masculino.

Cada caso é único. Por isso, a investigação deve ser individualizada e baseada na história clínica do casal.

Existe tratamento?

Sim.

O tratamento é definido de acordo com a causa identificada.

Em alguns casos, pequenas correções clínicas ou hormonais são suficientes. Em outros, podem ser indicadas estratégias como indução da ovulação, inseminação intrauterina ou fertilização in vitro.

A dificuldade atual não significa que uma nova gravidez não acontecerá, mas que é preciso identificar o que está interferindo na fertilidade neste momento da vida.

Quanto mais cedo a investigação começa, maiores são as chances de identificar alternativas e planejar os próximos passos com segurança.

Não ignore os sinais

Muitas pessoas adiam a busca por ajuda porque acreditam que basta esperar mais um pouco.

Mas a fertilidade muda ao longo do tempo, e algumas condições podem evoluir silenciosamente.

Se as tentativas estão demorando mais do que o esperado, uma avaliação especializada pode trazer respostas, direcionamento e segurança para a tomada de decisões.

A história da primeira gravidez ajuda a explicar parte do caminho. A avaliação do presente mostra como seguir em frente.

Gerar in Vitro — Ciência que gera possibilidades, cuidado que acolhe histórias.

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